A Alemanha sempre foi uma selecção de reconhecido poder ofensivo. Habitualmente, a frente de ataque germânica era constituída por jogadores de grande frieza, bom posicionamento e presença na área. Exemplos foram muitos, desde Müller, passando por Voeller, Klinsmann, Kirsten e, mais recentemente, Bierhoff.
Recentemente, as escolhas mais habituais para a frente de ataque Alemã são:
Kevin Kuranyi
Lukas Podolski
Asamoah
Miroslav Klose
Destes 4 nomes, nenhum é natural da Alemanha, sendo Kuraniy nascido no Rio de Janeiro (Brasil), Asamoah em Mampong (Gana), Posolski em Gleiwitz (Polónia) e Klose em Opole (também Polónia).
O factor geográfico já é de importância relevante, porque é estranho um país como a Alemanha, com a sua tradição de formação de bos valores, não conseguir revelar jogadores de qualidade suficiente para integrarem o ataque da Mannschaft.
Esquecendo as origens destes goleadores (que, apesar de terem nascido noutros países, receberam grande parte da formação como jogadores na Alemanha), repara-se que o tipo de avançado mudou bastante. Excluindo Klose, que é um avançado com as características que mais se evidenciaram nos atacantes Germânicos... todos os outros parecem fugir um pouco a essa imagem. Nota-se uma perda assinalável na frieza, na crueldade habitual, mas em quase todos os casos se nota um acréscimo de técnica e criatividade.
Será de esperar que a Alemanha volte a apresentar avançados tacticamente muito disciplinados e com instinto matador, ou o futuro passa pelo surgimento de jovens mais criativos e tecnicistas?
[Agradecimento ao comentador anónimo, que chamou atenção para o facto de Klose também não ser natural da Alemanha!]
O futebol tem evoluido muito! Não nas regras, não na essência, mas... na abordagem geral.
Há mais profissionalismo, mais competitividade e isso leva a que seja dada cada vez maior importância a componentes que há uns anos atrás não era dada. Essa maior atenção, aliada a uma maior circulação de jogadores pelo mundo, estão a levar o futebol no sentido da uniformização.
Basta, então, analisar as actuais «4 dimensões» do futebol, para perceber esta uniformização. Quem não tem em mente o futebol Inglês, com passes para as costas da defesa, a magia irresponsável do futebol Africano, a força mental Germânica, o rigor táctico Italiano??! Estas filosofias de jogo características estão-se a perder. Vejamos:
Em Inglaterra, pela entrada de jogadores latinos, mais tecnicistas, o «chuta e corre» está cada vez mais esquecido, sendo que só as equipas de fundo de tabela praticam esta filosofia de jogo. Manchester United, Arsenal e Chelsea, por exemplo, evidenciam já um estilo de jogo em que o físico se mistura com a capacidade técnica. Até a própria Selecção Inglesa, fruto da maior importância dada a aspectos técnicos, tem evoluído nesse sentido;
O futebol mágico e irresponsável dos países Africanos está, também a sofrer alterações. Não é possível alcançar exitos e ser regular sem que haja rigor táctico. A presença de alguns treinadores Europeus em África tem levado a uma maior responsabilidade no estilo de jogo. A magia continua lá, mas o rigor começa a aparecer;
O factor mental, que faz lembrar Selecções Alemãs do tempo das ex-RDA e RFA, cada vez se torna mais necessário, trabalhando os treinadores essa componente com afinco e recorrendo-se, até, a psicólogos. A estabilidade mental faz a diferença, num futebol cada vez mais exigente e equilibrado;
O futebol dos países latinos, mais tecnicista, está a tornar-se cada vez mais exigente fisicamente.
Assim, o futebol típico de cada País/Continente, parece estar a perder-se, no sentido de um futebol total. De um futebol onde todas as componentes são tomadas em grande importância. Parece ser uma questão de tempo.
Perdem-se estas pequenas «culturas futebolísticas»... que se ganhe algo em qualidade! E parece assim acontecer, havendo cada vez mais equipas capazes de surpreender e tornando-se cada vez mais verdade que, no futebol, «prognósticos só no fim»!
O que seria o futebol Europeu sem a arte dos jogadores Sul-Americanos?
Conta-se que, no Verão de 1982, estava Bruno Conti, pouco tempo antes coroado campeão do mundo, a passar uns dias de férias no Rio de Janeiro junto de Falcão, seu colega na Roma, quando, ao passear por Copacabana, sem ninguém o reconhecer, decidiu, vendo um grupo de garotos numa peladinha de praia, pedir para também jogar um pouco. Tudo bem, responderam. Pouco tempo depois, porém, um dos garotos, muito educado, vendo que chegava outro coleguinha mulato descalço, foi ter com o turista italiano e pediu-lhe: “Desculpa, mas não te importas de agora ira para a baliza?”
Luís Freitas Lobo, Planteta do Futebol